Dossie

Este dossiê discute a luta contra o apartheid na África do Sul, destacando o papel do Medu Art Ensemble (1979-1985) na mobilização dos trabalhadores culturais e do povo dentro e fora da África do Sul. A história, a teoria e as práticas artísticas e culturais desse período fazem parte da tradição das lutas pela libertação nacional e pelo socialismo em todo o Terceiro Mundo e continuam a ser relevantes para os trabalhadores culturais envolvidos nas lutas políticas hoje.

Vinte e cinco anos após a primeira “onda rosa” na América Latina e Caribe, o continente parece respirar novamente ao reviver uma nova “onda progressista”, após o avanço da extrema-direita na região nos últimos anos. Porém, este novo momento se depara com um cenário distinto de sua primeira emergência. Este dossiê busca refletir sobre os desafios, limites e contradições deste novo cenário.

Apesar de rico em recursos naturais e minerais, prevê-se que a economia do Paquistão cresça apenas 0,5% em 2023. Esta contração sem precedentes fará com que os pobres fiquem cada vez mais pobres. Para compreender as crises no país, desde as convulsões políticas às catástrofes naturais, e os obstáculos estruturais ao desenvolvimento social, é urgentemente necessário analisar a forma como as políticas do Fundo Monetário Internacional estão minando sua independência econômica. O Paquistão não é de forma alguma um caso fora do comum; apenas ilustra o modelo geral do FMI para todas as economias, sejam elas grandes ou pequenas, com pouco interesse se as suas ações transformarem uma recessão cíclica numa depressão.

O dossiê n. 68 analisa o golpe de 1973 contra o Chile e seus efeitos sobre o Terceiro Mundo e os países não alinhados. A política do governo de Allende de nacionalizar o cobre impulsionou o golpe, mas tal política fazia parte de um debate mais amplo no Terceiro Mundo sobre a criação de uma Nova Ordem Econômica Internacional (NOEI) que reestruturasse o sistema econômico internacional neocolonial de forma democrática e desse peso às ideias e aos povos do Terceiro Mundo. Nesse sentido, o golpe contra o Chile impulsionado pelos EUA foi precisamente um golpe contra o Terceiro Mundo.

Este dossiê analisa o papel da Teoria Marxista da Dependência na atualidade enquanto uma importante ferramenta científica para entender os processos de desenvolvimento e subdesenvolvimento, as atuais tendências antidemocráticas e fascistas e as perspectivas de emancipação dos países do Sul Global.

Ao longo do século passado, houve grandes mudanças nos debates e nas teorias sobre a questão do desenvolvimento. No pós-guerra, essa evolução pode ser dividida em quatro eras: a era da teoria da modernização, a era da Nova Ordem Econômica Internacional, a era da globalização neoliberal e a atual era de transição após a crise financeira de 2007-2008. Este dossiê examina o pensamento histórico e atual sobre o desenvolvimento e oferece um esboço para uma nova teoria socialista do desenvolvimento.

Os debates em torno da terra como recurso estratégico na Argentina, garantindo enraizamento, boas condições de vida e produção destinada ao abastecimento da população local, acontecem em um contexto em que todos os esforços são direcionados para a exportação da maior parte da produção agrícola e no qual cresce a concentração da terra , deixando como consequência direta o crescente êxodo rural, a altíssima concentração da população urbana e grandes dificuldades em garantir alimentos para as populações.

Este dossiê oferece uma ampla análise das condições de vida e trabalho da grande e diversa classe trabalhadora indiana. A grande maioria dos/as trabalhadores/as ganha mal e enfrenta terríveis condições de vida. Além disso, encontram-se no setor informal, no qual as taxas de sindicalização são historicamente baixas. Na era neoliberal, as empresas têm exigido “flexibilização do mercado de trabalho”, alegando que isso ajudaria a atrair investimento externo e gerar crescimento econômico. Para superar a resistência dos sindicatos contra tais “reformas”, que tornam os empregos ainda mais inseguros, o governo tem mudado as leis. Mas os/as trabalhadores/as não se renderam ao crescente poder do capital.

O continente africano tem lutado por décadas com níveis de dívida extremamente altos e impagáveis. A crise permanente da dívida que os assedia não resultou de falhas de mercado de curto prazo ou de ciclos de negócios que se recuperarão, muito menos é uma consequência da má administração das finanças dos governos ou da corrupção profundamente enraizada nestes países. Na verdade, a crise da dívida baseia-se em uma importante análise feita pelo presidente da Burkina Faso, Thomas Sankara, que argumentou que “as origens da dívida vêm das origens do colonialismo” e, portanto, só pode ser confrontada com a criação de novas alternativas financeiras para além de um quadro neocolonial.

Estudos

O quinto estudo da série Mulheres de luta, mulheres na luta traz para discussão a vida e as lutas políticas de Josie Mpama (1903–1979), uma líder na resistência contra a opressão colonial e o sistema de apartheid na África do Sul. Como figura central no Partido Comunista da África do Sul e na sociedade em geral, Josie nos ensina sobre a importância da base e da organização de massa. Como tantas mulheres envolvidas na política radical, particularmente no Sul Global, as extraordinárias contribuições políticas e perspicácia teórica de Josie foram negligenciadas e amplamente excluídas do registro histórico dominante.

Mudanças globais significativas surgiram desde a Grande Crise Financeira de 2008. Isso pode ser visto em uma nova fase do imperialismo e nas particularidades de oito contradições, resumidas em nosso último texto.

Esta publicação feita em parceria entre o Instituto Tricontinental e Alba Movimentos, inicia um caminho para recuperar a história de lutas, resistências, insurreições, e sonhos revolucionários que foram liderados por mulheres e pessoas LGBTQ+ em toda a região em diferentes épocas para encontrar as sementes dos feminismos populares latino-americanos que existem hoje. Selecionadas e produzidas por militantes feministas populares na América Latina e no Caribe, essas histórias continuam a nos inspirar até hoje.

Apesar de existir por apenas 40 anos, a República Democrática Alemã (RDA) foi capaz de construir um sistema de saúde fundamentalmente diferente que garantiu uma melhoria contínua da saúde da população. A RDA baseou-se em tradições médicas progressistas e relações de propriedade socialistas para eliminar o lucro da medicina e construir um sistema de saúde unitário que operasse em todos os setores da sociedade, desde bairros urbanos e vilas rurais até locais de trabalho e escolas.

Catástrofes de um tipo ou de outro irradiam da Ucrânia, incluindo uma inflação galopante e fora de controle. Áreas do mundo que não são parte direta do conflito estão sendo duramente atingidas por crescentes pressões econômicas, com a agitação política como consequência inevitável. Nesse contexto, o Peace and Justice Project, instituto de pesquisa liderado por Jeremy Corbyn, juntou-se ao Instituto Tricontinentalde Pesquisa Social e dois parceiros de mídia, Globetrotter e Morning Star, para produzir uma série de reflexões sobre o desdobramento dos conflitos em relação à conceitos de não-alinhamento e paz.

Estamos testemunhando uma perigosa escalada política, econômica e militar dos Estados Unidos e seus aliados ocidentais contra a Rússia e a China. Washington procura impedir um processo histórico que parece inevitável, o processo de integração eurasiana, uma ameaça à primazia das elites euro-atlânticas. Para garantir a hegemonia global, os Estados Unidos estão comprometidos com a busca da primazia nuclear global e estão dispostos a usar qualquer meio para “enfraquecer” tanto a Rússia quanto a China – mesmo correndo o risco de destruir o planeta.

Este estudo explora como o Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde construiu um novo sistema de ensino durante a luta pela libertação nacional.

A lutadora popular equatoriana Nela Martínez (1912-2004) foi fundamental nas lutas da classe trabalhadora e das mulheres. Militante comunista e internacionalista, participou na formação da Federação Equatoriana de Índios e teve um papel central na insurreição A Gloriosa (1944). Membro do Comitê Central do Partido Comunista do Equador, liderou a criação de organizações de mulheres como a AFE e a URME. Sua biografia política entrelaça as  lutas das mulheres com as lutas anticapitalistas, antifascistas, antirracistas e anti-imperialistas.

Nós, uma rede de instituições de pesquisa que vem analisando de perto as crises de longo prazo derivadas da austeridade neoliberal, os regimes de dívida induzida e o mau desenvolvimento, produzimos um conjunto de políticas com o objetivo de estabelecer uma nova ordem mundial. Nosso plano, inspirado nos alinhamentos da Nova Ordem Econômica Internacional (NOEI) propõe uma visão para o presente e o futuro imediato centrada em doze temas chave: democracia e ordem mundial, meio ambiente, finanças, saúde, moradia, alimentação, educação, trabalho, assistência social, mulheres, cultura e mundo digital